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Tuto Ferraz nos passa a impressão
de tranqüilidade típica das pessoas que conseguiram descobrir
e seguir seus próprios caminhos. Aos 35 anos, é baterista
e comanda o estúdio Grooveria, ao lado do sócio Dimi Kireeff.
Já gravou vários bateristas, como Maurício Leite
e Ricardo Confessori (Angra). Na bateria tocou com Pedro Camargo Mariano,
Wander Taffo, Zerró Santos, Sizão Machado, Tomati, Felipe
Cubano e muitos outros, sem contar com o som que faz com sua banda, a
Funkacid.
Tuto vai nos mostrar como
fazer uma boa tomada de bateria para quem vai gravar uma demo ou CD e
quais os cuidados básicos para se extrair o máximo dessa
oportunidade, mesmo sendo iniciante. Ele recomenda gravar o ensaio para
ouvir depois e comparar a batida com a de uma bateria eletrônica,
pois a precisão desta pode corrigir pequenas (ou grandes) falhas
de ritmo. Na Grooveria, ele usa três Adats (gravadores digitais
de fita que gravam em 8 canais) e um Protools (sistema em gravação
de computador que pode gravar de 16 a 32 canais), mas se você for
gravar em casa mesmo, use um porta-stúdio de mini-disc ou de cassete.
A microfonação
pode ser de 4 ou 6 entradas. Com 4 canais, um vai para o bumbo, um para
a caixa e dois para os overs. Os microfones podem ser Shure SM 57 e 58
e, se for possível, um ou dois condensadores de ambiência.
Na gravação, registre primeiro a bateria em 4 canais e reduza
par 1 ou 2 (ping pong), grave o baixo em 1 e reduza a bateria e o baixo
para 1 ou 2, e assim por diante. Tuto também dá dicas tão
simples quanto essenciais para quando sua banda for para o estúdio
pela primeira vez. Se for usar metrônomo, use-o primeiro nos ensaios
para se acostumar, afinal, na hora da gravação, você
deve estar afiadíssimo e o click deve ser seu companheiro, não
seu cruel perseguidor. Ele observa que na música pop é quase
uma regra o uso do metrônomo, embora o Jamiroquai, por exemplo,
não o utilize. Já na música instrumental e no Jazz,
o comum é não usa-lo.
Na percussão, deve-se evitar
o excesso de fills e viradas. "Less is more" (Menos é
mais). Em segundo lugar, comece a se preparar com no mínimo um
mês de antecedência. Escolha o ritmo e a maneira de tocar
o instrumento, de preferência nem muito forte nem muito fraco. Para
a hora da gravação, a dica é levar duas ou três
caixas, todas afinadas, e ver qual cai melhor. E sempre, sempre pensar
na música como um todo, e não somente no som da bateria.
Tuto sugere que não sejam usados muito compressores para as tomadas
de bateria, "para o jazz o mínimo, e para o pop um pouco mais".
O básico para gravar uma
bateria legal, são oito canais. A microfonação indicada
é: para o bumbo RE 20 Eletrovoice, D 112 AKG e Seinnheiser 421.
Para a caixa Shure SM 57. Para os tons Seinnheiser 421, Shure 57 ou 98.
Para o chimbal, Shure 81 (Phanton Power). E, em over, dois AKGs 414. Se
a sala for grande o suficiente, colocar o microfone over a um ou dois
metros da bateria. O ambiente da sala também conta muito e o músico
deve observar se a bateria está soando bem, se está afinada.
Em resumo, é importante tirar o máximo da gravação,
deixando só o trabalho necessário para a mixagem e a masterização.