Página Inicial » Entrevistas » Emílio Martins
É uma grande satisfação ter Emílio Martins como colaborador do Site Batera. Amigo desde o Conservatório de Tatuí, Emílio sempre se mostrou um profundo pesquisador e dono de uma musicalidade incrível. Depois de ter passado por muitas situações musicais, em vários países, este baterista/percussionista divide conosco um pouco de sua bagagem.
SB: Quando você começou a tocar e qual sua formação?
EM: Comecei a estudar bateria aos 8 anos, em São Carlos, quando já tocava numas panelas. Meu pai toca violão e isso com certeza influenciou minha vida musical. Depois estudei no conservatório “Carlos Campos de Tatuí”, onde posteriormente lecionei. Mas aos 15 anos já era músico profissional.
SB: Quais os principais artistas e músicos que já trabalhou?
EM: Trabalhei com Daúde, Vange Milliet, Cláudio Nucci, Lui Coimbra, Tinoco, Mafalada Minozzi, Xavier Naidoo ,Pery Ribeiro Cambada Mineira, Tião Carvalho, Roberta Miranda, Orquestra Jazz Sinfônica, Jorge Mautner, Chrystian e Ralf, Fernando Corrêa, Vinícius Dorin, Bocato, entre outros.
SB: No decorrer de seus trabalhos tiveram algumas participações especiais de grandes nomes da música popular brasileira, quais os artistas e onde foram estes
trabalhos?
EM: Algumas que marcaram muito a minha vida foram o show de Euder Costa, no mistura Fina, Rio de Janeiro, no qual participaram Ana Carolina e Milton Nascimento. Houve também um show do Wolf Borges que contou com a presença da Leila Pinheiro, no Museu da Pampúlha , em Belo Horizonte. Recentemente, toquei no "II Festival Chorando sem parar" em São Carlos e acompanhei Baby do Brasil e Armandinho.
SB: Você tem uma banda chamada Mandinga, nos fale sobre este trabalho.
EM: Sou um dos fundadores da banda, juntamente com André de Souza, Ricardo Finazzi e Cesar Botinha. Temos dois CDs gravados, o "Terra Nativa" e "Mostra Geral",
neste último atuei como co-produtor, ao lado do César Botinha. O disco teve as participações de Marcos Suzano, Toninho Ferragutti, Funk como Lê Gusta Horns. No Mandinga buscamos mesclar os gêneros brasileiros procurando sempre um molho muito próprio.
SB: Como foi sua experiência em excursionar pela Europa? Quais os eventos e países por onde tocou?
EM: Excursionar pela Europa levando a música brasileira é sempre uma grande satisfação. Viajei com alguns grupos como Siboney, Dinho Alves e integrei a banda da
cantora Daúde em alguns grandes festivais como Roskield Festival, da Dinamarca, Verdem i Nerden, na Noruega, o Quasimodo de Berlim, Festival Latino Americano da Itália, La Mar de Musicas, de Cartagena, Fujifilm Word Music Days, de Istambul, entre outros.
SB: O que você está fazendo atualmente?
EM: Além de continuar tocando e gravando em diversos projetos, deverei entrar em estúdio em breve para a gravação de meu CD solo, no qual quero registrar um
pouco da história desses meus 20 anos de música. Também ministro aulas no IPT de Campinas.
SB: Afinal, você é baterista ou Percussionista? Por que esta versatilidade e de onde veio tanto Feeling e Sutileza?
EM: Obrigado pelo elogio! Comecei como baterista, e a percussão foi acontecendo como conseqüência e necessidade. Hoje me defino como um ‘ritmista’, não
consigo separar as coisas. E isso é muito positivo quando toco, por exemplo, como uma formação que tem percussão e bateria. Seja em qual posição estiver,
fica muito mais fácil para a compreensão do meu espaço. Outra coisa que faço é procurar tocar sempre a música do jeito que canto na minha cabeça, daí tudo que vem de volta é lucro. Acho que cantar o que se toca é sempre o melhor caminho, e isso os indianos já diziam há milênios.
SB: O que o levou a utilizar Panelas de Ferro, Zabumba com Pedal, Chapa de Protetor de Carter, entre outros?
EM: Sempre fui ligado nessa coisa de timbres, desde pequeno. Mais tarde conhecendo o trabalho de mestres como Airto Moreira, Nenê, Minuano e Nana Vasconcelos (que sempre diz que os melhores sons sãos os que estão na natureza) nunca mais parei de pesquisar.
SB: Você já gravou diversos discos, normalmente você grava Bateria ou Percussão? Quais seu critérios na elaboração dos grooves e arranjos? Você prefere elaborar ou executar?
EM: Sempre gosto de contar com a direção de um bom produtor. Gosto muito de elaborar arranjos ‘percussivos’ em conjunto, Quanto aos critérios, depende muito do tipo de trabalho. Acho que uma coisa importante é o músico saber se colocar dentro de cada situação. É fundamental fazer o trabalho com personalidade, assinatura, mas isso nunca pode descaracterizar a proposta original. Quanto à escolha de instrumentos, isso varia muito. Dependendo da idéia proposta gravo bateria, percussão e até programações.
SB: O que um baterista e percussionista precisam conhecer ou fazer para obterem bons resultados e serem requisitados?
EM: Humildade é fundamental, além de estudo, dedicação e pôr a música sempre em primeiro plano.
SB: Deixe uma mensagem aos nossos leitores.
EM: Acho que nunca devemos nos esquecer de que a música é uma linguagem universal, capaz de juntar pessoas de tendências, etnias e ideologias das mais diversas, é uma das vias para se chegar à utopia da paz. Penso que praticando-a com honestidade e sem preconceito, estamos percorrendo este caminho.
Para saber mais sobre Emílio Martins acesse o site www.emiliomartins.com