Página Inicial » Entrevistas » Paula Nozzari
No cenário nacional, o surgimento de novas bandas está em alta. Para não cair na mesmice de sempre e ter destaque no meio, o que resta é inovar. Foi o que fez Paula Nozzari, formando a Canja Rave, uma “dupla de rock”. Nossa entrevistada da vez já tocou em diversas bandas nacionais, com destaque no cenário gaúcho onde ficou conhecida, tocando com o Cidadão Quem. Com vocês, Paula Nozzari!
SB – Como, onde e quando tudo começou?
O meu interesse pela bateria surgiu quando eu tinha uns 10 anos, fazia aula de ballet e na escola de dança onde eu estudava, as aulas de sapateado eram dadas com bateria. Foi amor à primeira vista! Mas só comecei a tocar bateria quando eu tinha 13 anos em 1988.
SB – O fato de você ser mulher dificultou ou ajudou na hora de arrumar com quem tocar?
No início, dificultou um pouco porque se disser que não há preconceito estarei mentindo. Se hoje em dia ainda existe, imagina há 20 anos que praticamente não havia mulheres tocando? Aos poucos fui conquistando o meu espaço transformando as dificuldades em desafios!
SB – Com quem você já tocou? Qual a sua discografia?
Gravei o primeiro disco aos 17 anos com a Cine Privê e depois não parei mais. Praticamente todas as bandas com quem toquei gravei pelo menos um disco. Flora Almeida e Kozmic Blues, Os Argonautas, De Falla, Cidadão Quem (2 discos), toquei com a Penélope mas gravei com a vocalista Érika Martins o seu disco solo, etc. Tive a oportunidade também de participar de alguns Concertos no grupo de percussão da Orquestra Sinfônica de Porto Alegre (OSPA).
SB – Vi um vídeo seu no youtube em que está tocando de salto. É sempre assim, ou só estava fazendo parte do look?
As duas coisas, pois adoro tocar de salto e isso com certeza faz parte do meu look.
SB – Sobre o equipamento: sua batera é bem minimalista, principalmente agora na canja rave, há alguma influência aí? Fala um pouco sobre seu kit.
Eu já usei vários tipos de set ups. Tudo depende do que o trabalho, as músicas e o estilo vão exigir. Uma época no De Falla, por exemplo, usei um kit bastante diferente, um rack com vários tons, caixas e pratos, só que sem bumbo porque eu tocava em pé. Optei por tirar o bumbo porque tocávamos com uma trilha eletrônica que já havia bumbo demais. Na Cidadão Quem, logo no início, tive que usar dois tons, pois os arranjos tinham sido feitos pelo baterista anterior (Cau Hafner). Em função disso, usei dois tons para a fiel reprodução dos arranjos. Em seguida, voltei a usar apenas um tom, mas gostava de usar duas caixas, vários crashs, china. Na Canja Rave não sinto a necessidade de usar mais pratos e tambores do que estou usando (um crash e um ride), mas nada impede que daqui a pouco acrescente outros elementos novamente à minha bateria.
SB – Além de baterista você é Musicoterapeuta, explica pra nós sobre como funciona a musicoterapia?
Sim, sou Musicoterapeuta e trabalho em um Centro Geriátrico em Porto Alegre.
Musicoterapia é a utilização da música e/ou de seus elementos (som, ritmo, melodia, harmonia), por musicoterapeuta qualificado, com um cliente ou grupo, em processo destinado a facilitar e promover comunicação, relacionamento, aprendizado, mobilização, expressão, organização e outros objetivos terapêuticos relevantes, a fim de atender as necessidades físicas, mentais e cognitivas. A musicoterapia busca desenvolver potenciais e/ou restaurar funções do indivíduo para que ele ou ela alcance uma melhor organização intra e/ou interpessoal e, conseqüentemente, uma melhor qualidade de vida, através de prevenção, reabilitação ou tratamento. Esta é a definição da Federação Mundial de Musicoterapia. Embora eu tenha um projeto que é a utilização da bateria na reabilitação física e emocional de pessoas com paralisia cerebral, atualmente onde estou trabalhando não utilizo a bateria. Por ser um centro geriátrico, em geral uso instrumentos de percussão de fácil manuseio, violão e teclado.
SB – E a Canja Rave, como surgiu?
A Canja Rave surgiu em 2005, quando ainda morava no Rio de Janeiro. Nessa época, eu ainda tocava em outras bandas e nos finais de semana, quando o Chris e eu nos encontrávamos, sempre surgia uma composição nova. Essas músicas não se encaixavam em nenhuma de nossas bandas da época e então resolvemos fazer a nossa própria banda. Bem no início até tínhamos pensado em chamar alguém para tocar baixo, mas como os horários não fechavam achamos atraente a idéia de sermos só os dois mesmo. Foi um processo de amadurecimento, pois tivemos que aprender a trabalhar neste formato.
SB – Dei uma olhada na agenda de vocês, tem vários shows marcados nos EUA, como rolou isso?
Muito trabalho de pesquisa e produção, todo feito pela internet. Como o disco (físico) demorou um pouco mais do quem imaginávamos, começamos a trabalhar onde era possível. No Brasil, para marcarmos shows, ainda há necessidade de se ter o disco na sua forma física e mandar material pelo correio. Na internet, através do myspace, as pessoas puderam conhecer um pouco do nosso trabalho ouvindo as músicas, vendo as fotos, etc. Esse processo é muito mais rápido, pois em segundos o contratante pode decidir se o nosso perfil se encaixa ou não com a sua casa de show, ou bar, ou club. Por isso é que vamos tocar antes lá fora para depois fazermos o lançamento aqui no Brasil.
SB – E para contato com a CanjaRave?
No www.myspace.com/canjaraveoficial ou no nosso e-mail canjarave@gmail.com
SB – Valeu pela entrevista Paula, e para encerrar, deixa um recado pra comunidade do Batera.
Em primeiro lugar queria agradecer pela oportunidade e pelo interesse em relação ao meu trabalho. Depois te parabenizar pelo site e iniciativa, pois é muito bom que hoje em dia haja recursos como esses disponíveis principalmente para as pessoas que estão começando. Podemos conhecer os bateristas que estão atuando no mercado, as novidades, dicas de equipamentos, marcas, formas de estudar, etc. Boa sorte, muitas felicidades e “batucadas” para todo mundo!!!
Grande beijo, Paula Nozzari.