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Todos havemos de concordar que o palco da boa música nacional é vasto. Anos passam e grandes bandas vêm e vão: Titãs, Engenheiros, Roupa Nova, Angra, Mamonas Assassinas, Los Hermanos. São músicos diferentes, que fazem músicas diferentes. No Brasil, há gosto para tudo, sempre mantendo o bom som, bom para se ouvir.

Venho com essa entrevista, então, apresentar o baterista de uma banda que ainda é recém-nascida: Cinzel. Stephan Drummond foi classificado em terceiro lugar no festival Odery e Modern Drummer do ano passado no Rio de Janeiro e compõe o Cinzel há 2 anos, desde o início da banda.

Com um som leve e de letras bem interessantes, o Cinzel disponibiliza seu álbum para download no próprio site da banda: www.cinzel.net

Não perca a chance de escutar o Cinzel, que sem delongas, conheceremos melhor, agora, através do Stephan.

Batera.com.br: Com quantos anos de idade começou a se interessar pela bateria?

Stephan Drummond: 13 anos.

Batera.com.br: E o que o levou a escolher a bateria como instrumento? E não a guitarra como seu irmão?

Stephan Drummond: Bom, na verdade meu primeiro interesse foi na guitarra também (risos). Mas depois de uns dois anos tocando violão/guitarra, fiz uma aula de bateria, e aí “já era”. Acho que foi uma coisa natural, pois nunca tive muita paciência pra estudar violão, já na bateria foi totalmente o contrário.

Batera.com.br: Dá pra ver pelo solo que fez no festival Odery e Modern Drummer (http://www.youtube.com/watch?v=OZca9Tm06rk) que você domina uma boa técnica. Com certeza foi fruto de muito treino e dedicação. Quanto tempo você treinava quando começou a tocar, e quanto tempo treina agora?

Stephan Drummond: Quando comecei, estudava em torno de uma hora por dia. Depois fui aumentando. Meu máximo foi por volta de 8 horas por dia, mas já passei dessa fase (risos). Isso foi quando eu ia fazer uma prova de bolsa de estudos para a Berklee College em Boston. No fim das contas consegui a minha bolsa, mas mesmo assim, o que restava a pagar não me permitiu ir. Hoje tenho estudado bem menos pelo fato de estar trabalhando mais (felizmente) com aulas e free-lancers. Mas sempre que posso estudo um pouco.

Batera.com.br: Quando soube que ficou em terceiro lugar, qual foi sua reação? Esperava chegar longe assim no festival?

Stephan Drummond: Tenho que admitir que não sabia muito o que esperar. No dia, conheci 9 bateristas incríveis, e sinceramente, achava que qualquer um tinha competência e méritos para ser o primeiro colocado. Apesar de ter participado do festival, e ter achado uma ótima iniciativa, a meu ver, competição e música não combinam. É impossível você falar quem é melhor entre Neil Peart e Alex Acuña, por exemplo, cada um é gênio em seu estilo. Mas não tem como negar o espaço importantíssimo que o festival nos deu.

Batera.com.br: Quanto ao Cinzel, fizeram juntamente a outras bandas, um show no Circo Voador no dia 21 de Março em tributo ao Los Hermanos. Neste show todos cantaram as músicas e foi bastante emocionante. Num show da banda, com as músicas próprias vocês ganham este mesmo retorno. Como você se sente sabendo que muitas pessoas sabem cantar as músicas da sua banda?

Stephan Drummond: É com certeza uma das melhores coisas que pode acontecer a uma banda, a sensação de estar no palco e ter um publico reagindo postivamente e cantando as suas musicas é extremamente gratificante. São momentos como esses que compensam tanto trabalho e esforço.

Batera.com.br: O trabalho da banda é todo divulgado pela internet via Orkut e o site oficial de vocês. A escolha por disponibilizar o album para download no site foi uma decisão unânime da banda? Os resultados esperados foram alcançados?

Stephan Drummond: Foi um consenso de toda a banda sim. Não víamos muito sentido em tentar vender algo que ninguém conhecia. Nossa idéia é divulgar ao máximo o som, e tentando usar todos esses incríveis artifícios que temos hoje em dia pela Internet. Até então tem dado ótimos resultados, e acaba que muitas pessoas que gostaram do CD, compram também. E é uma “ajuda” muito bem vinda, e acessível, já que o preço do CD é de apenas $10 (ou $14 com envio para qualquer lugar do Brasil) e todo qualquer dinheiro que entra pra uma banda independente é de enorme ajuda (risos).

Batera.com.br: Com certeza o Orkut foi uma grande ferramenta de divulgação da banda. Se um dia decidirem parar de disponibilizar o album para download no site, e apenas venderem o CD, esta ferramenta que ajudou tanto a divulgar a banda, vai ajudar na pirataria também. Como você vê isso? Acha que é válido deixar o album disponível na internet, fidelizando fãs que comprarão o CD por gostarem da banda?

Stephan Drummond: Eu, particularmente, não vejo problema em download gratuito, pois de uma forma ou de outra, se você for um artista conhecido, a sua musica vai estar na Internet, querendo você ou não. E se você não for conhecido, você precisa colocar na Internet para que ela se torne conhecida (risos). Então, nós temos apenas que aceitar isso, e usar da melhor forma. Contanto que ninguém baixe nossas musicas e venda para lucro próprio, acho esse tráfego de mp3 pela Internet muito saudável.

Batera.com.br: Sobre seus equipamentos: o que está usando? A escolha destes equipamentos foi de acordo com o tipo de som feito pelo Cinzel?

Stephan Drummond: Em "Um Norte" eu usei um kit da Odery. Bumbo 22x16, tom de 10x8, "surdo" de 13x13, caixa 14x6 e 1/2. Hi-hat K (Top) / New Beat (Bottom), Rides Sabian HH Raw Bell Dry 21" e HHX Dry 21", Crashes Kashmir control 18" e Orion Bacalhau 19" e um Bell da Octagon de 6". Hoje eu estou usando dois crashes XS20 da Sabian no lugar destes. Não os escolhi em função da banda, mas eles funcionam muito bem com ela.

Batera.com.br: Seu kit se baseia em algum ídolo? E o seu som, tem influências de quem?

Stephan Drummond: Em nenhum particularmente. Quanto ao meu som, minhas influências são bastante abrangentes. Vão de Dave Grohl, passando por Buddy Rich, Horacio Hernandez até Milton Banana. Mas se eu fosse dar a lista completa acho que aqui iriam umas três paginas de nomes (risos). Tenho muitas “fases” quanto à isso. Ultimamente por exemplo, tenho escutado muitos discos do Sting tocados por bateras como Manu Katche e Colauita. Minha cabeça tem andado cheia de 5/4, 7/8 (risos).

Batera.com.br: Além da internet, as revistas também são um bom veículo de informações do mundo da bateria, você assina alguma revista? Qual?

Stephan Drummond: Já assinei há um tempo a tanto a Modern Drummer, quanto a Batera. Mas depois de um tempo eu vi que a Internet já me deixava sempre atualizado de tudo.

Batera.com.br: Você toca em algum projeto paralelo, ou tem algum plano em relação à isso?

Stephan Drummond: Atualmente, fora o Cinzel, que é meu trabalho “de coração”, tenho trabalhado também como Free-Lancer e como Professor de bateria aqui no Rio de Janeiro. Estarei num disco muito bacana em comemoração dos 40 anos do White Álbum dos Beatles, com o cantor e compositor carioca, Apoena (www.apoenafrota.com). Esse álbum contará com artistas de peso, entre muitos outros nomes do meio independente, valerá a pena conferir. Estive também gravando o programa Som Brasil, da Globo, em homenagem ao Lulu Santos, também com o Apoena. Deve ir ao ar no fim de Abril. Tenho trabalhado frequentemente também com a banda gospel “O Manifesto” (www.omanifesto.com), do radialista Renato Coelho. Entre outros trabalhos que tem aparecido. Além de dar aulas de bateria também.

Batera.com.br: Para finalizar, qual o recado você deixa para todos que leram esta entrevista, tanto aos que estão começando com esse sonho, quanto aqueles que já o vivem há um bom tempo?

Stephan Drummond: Pra começar, estudem muito, estejam sempre ligados no que está a nossa volta, e no que surge a cada dia de novo. Busquem sempre originalidade em seus sons. Iguais aos melhores muitos até conseguem ser, mas são poucos os que conseguem fazer diferente com qualidade.

No mais, entre em www.cinzel.net e baixe gratuitamente o cd “Um Norte” e nos diga o que achou! Se gostar e quiser comprar, o que é de grande valor a nós, é só entrar em contato, seja por orkut, fotolog, email, etc.

O Stephan deixou para quem quiser entrar em contato, seu e-mail pessoal, que é stephandrummond@gmail.com e além do contato dele, sugestões, críticas e dúvidas podem ser enviadas para mim, através do salun@batera.com.br

Valeu galera!